A Montepuez Ruby Mining (MRM) pediu às autoridades moçambicanas que tomem medidas mais enérgicas contra as redes por trás do comércio ilegal de pedras preciosas, após o desabamento fatal de um túnel em sua concessão no norte do país. A empresa, 75% controlada pela Gemfields, listada na Bolsa de Valores de Londres, enfatizou em um comunicado na segunda-feira a necessidade urgente de intervenção governamental para deter aqueles que “financiam, facilitam e incentivam” a extração e venda ilícitas de rubis moçambicanos.

O apelo por uma fiscalização mais rigorosa surge após um trágico incidente na manhã de 27 de dezembro, quando equipes de segurança da MRM descobriram atividade de mineração não autorizada dentro da concessão de Cabo Delgado. As fortes chuvas da noite anterior deixaram o solo perigosamente instável, causando um desabamento localizado enquanto três garimpeiros ilegais tentavam cavar túneis subterrâneos. Dois homens sofreram ferimentos leves e foram retirados do local por seus colegas, mas um jovem de 24 anos, do distrito de Mueda, perdeu tragicamente a vida. Seu corpo foi posteriormente recuperado por uma patrulha conjunta perto de um posto de vigilância, e o caso foi entregue ao Serviço Nacional de Investigação Criminal.

A mais recente fatalidade destaca os crescentes riscos de segurança e os desafios operacionais no que é considerado o depósito de rubis mais valioso do mundo. Em comunicado, a MRM alertou que as repetidas incursões ilegais não só colocam vidas em risco, como também privam o governo moçambicano de receitas fiscais vitais. “Este incidente foi levado ao conhecimento das autoridades distritais, provinciais e nacionais, na esperança de que sejam tomadas medidas mais proativas contra aqueles que financiam, facilitam e incentivam o comércio ilegal de rubis moçambicanos, que prejudica Moçambique e o seu povo”, afirmou a empresa.

Estas incursões já começaram a afetar as operações e os projetos de investimento da MRM. A Gemfields anunciou anteriormente que o seu tradicional leilão de rubis, que ocorre entre novembro e dezembro, seria adiado para janeiro de 2026, devido a atrasos significativos na entrada em funcionamento de uma segunda unidade de processamento. A instalação, orçada em 70 milhões de dólares e projetada para triplicar a capacidade de processamento para 600 toneladas por hora, tem sido alvo frequente de atos de “sabotagem”. Relatórios da empresa indicam que as incursões diárias de 250 a 400 garimpeiros ilegais interromperam a infraestrutura de abastecimento da fábrica, forçando ajustes no calendário fiscal.

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A segurança no local continua sendo uma grande preocupação, após um incidente violento em 15 de outubro, no qual dois membros da Polícia da República de Moçambique (PRM) foram mortos durante uma incursão de 40 garimpeiros. Um dos policiais era comandante da Força de Proteção de Recursos Naturais de Moçambique. Embora a MRM tenha observado que as condições no local permaneceram relativamente calmas desde o ataque, a empresa sugeriu que a violência pode ter sido alimentada por tensões locais ligadas a investigações de imigração em aldeias vizinhas.

Embora a MRM mantenha programas contínuos de divulgação e conscientização da comunidade para destacar os perigos da mineração ilegal, os representantes da empresa enfatizam que a segurança privada e as iniciativas de responsabilidade social corporativa não podem substituir a aplicação eficaz da lei. A empresa continua a exigir uma repressão decisiva às redes financeiras que impulsionam o comércio ilícito, alertando que a trágica perda de vidas e recursos valiosos é uma consequência direta da insuficiência de “medidas proativas” contra os sofisticados sindicatos por trás da extração ilegal de rubis.

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