A consultora Business Monitor International (BMI) acredita que as perspectivas para os projectos de gás natural em Moçambique estão a melhorar, apesar do atraso na retoma dos trabalhos da empresa francesa de petróleo e gás, TotalEnergies, na província nortenha de Cabo Delgado.
“As perspectivas para os megaprojectos em Moçambique estão a melhorar, registando-se progressos na retoma dos projectos. A TotalEnergies tomou várias medidas para reiniciar o projeto, na sequência da violência de 2021, que obrigou a empresa a declarar ‘força maior’ e a suspender as atividades de construção da central que irá liquefazer o gás, permitindo a sua exportação”, lê-se no relatório da BMI. relativamente ao sector do gás natural do país.
De acordo com dados divulgados por esta consultora, que é propriedade dos mesmos que a agência de notação financeira Fitch Ratings, a TotalEnergies deverá reiniciar os trabalhos no primeiro semestre do próximo ano, depois de renegociar contratos com empreiteiros locais.
“A consideração final para relançar o projeto é renegociar custos com empreiteiros locais. Desde que o projecto foi suspenso, registaram-se vários grandes aumentos de preços das matérias-primas, energia e mão-de-obra, bem como um aumento generalizado da inflação, o que diminuirá as margens de lucro do projecto”, lê-se no documento.
Recentemente, o CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanne, disse que “nenhum dos antigos compradores de gás exerceu o seu direito de abandonar o projecto e ainda há uma forte procura, mesmo que saiam”.
“Para 2023, prevemos que a produção de gás em Moçambique aumente 47 por cento para 9,27 bcm [biliões de metros cúbicos], acima dos 6,31 bcm em 2022”, estimam os analistas, sublinhando que a perspectiva é que a produção de gás atinja 44,1 bcm em 2032, que tem potencial para transformar a economia moçambicana não só devido ao desenvolvimento local, mas também devido ao forte fluxo de receitas do Estado provenientes destes projectos.
Moçambique tem três projectos de desenvolvimento aprovados para explorar as reservas de gás natural da bacia do Rovuma, classificada como uma das maiores do mundo, ao largo da costa de Cabo Delgado.
Dois destes projetos são de grande escala e envolvem a canalização do gás do fundo do mar para a terra, antes de o arrefecer numa fábrica para o exportar por mar em estado líquido.
Um deles é liderado pela TotalEnergies (o consórcio da Área 1 da Bacia do Rovuma) e os trabalhos progrediram até serem suspensos indefinidamente após um ataque de terroristas islâmicos contra a cidade de Palma em Março de 2021. Esse ataque levou a empresa energética francesa a invocar o “caso de força maior”. cláusula em seu contrato e declarar que só retomaria os trabalhos quando a área estivesse segura.
O segundo projecto de grande escala é liderado pela ExxonMobil e pela empresa italiana de energia ENI (consórcio Área 4 da Bacia do Rovuma), mas a decisão final de investimento ainda não foi tomada.
Um terceiro projeto concluído e bem menor, o projeto Coral FLNG, também pertence ao consórcio Area 4 e consiste em uma plataforma flutuante de captura e processamento de gás para exportação, diretamente no mar.
As exportações da plataforma flutuante começaram em Novembro de 2022 e continua a ser o único empreendimento de gás natural liquefeito em Cabo Delgado que está em produção.






















