O setor extrativo de Moçambique enfrenta uma grave crise de reputação e estabilidade após relatos de que dezenas de garimpeiros foram mortos durante um confronto violento com a polícia em 29 de dezembro de 2025.

O incidente, que ocorreu na área de mineração de Marraca, no distrito de Mogovolas, levou a Human Rights Watch (HRW) e grupos da sociedade civil local a exigirem uma investigação imediata e imparcial sobre o que descrevem como uma violação “grave” do direito internacional e um sintoma de governança mineral deficiente.

A dimensão da tragédia continua sendo um ponto de forte controvérsia entre as autoridades estatais e os observadores independentes. Embora as autoridades policiais tenham reconhecido formalmente apenas sete mortes, incluindo a de um policial, organizações da sociedade civil local e emissoras comunitárias relatam um número significativamente maior, de pelo menos 38 mortes.

Essas discrepâncias ressaltam a natureza opaca das operações de segurança nos distritos ricos em minerais da província, onde a extração artesanal de pedras preciosas e ouro muitas vezes se sobrepõe a concessões privadas formais.

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“As evidências disponíveis indicam que a polícia de Moçambique usou força letal desnecessária e excessiva, resultando em mortes e ferimentos em um número ainda não confirmado de pessoas”, disse Sheila Nhancale, pesquisadora para a África da Human Rights Watch.

Ela enfatizou que a restauração da confiança da comunidade e a preservação da posição de Moçambique como um destino viável para investimentos dependem da punição dos responsáveis. “É essencial que as autoridades investiguem essas mortes de forma completa e imparcial”, acrescentou Nhancale.

O confronto também se tornou um ponto crítico político, com a polícia alegando que os mineiros foram apoiados pela milícia Naparamas e pelo partido da oposição Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autônomo (ANAMOLA).

No entanto, testemunhas e jornalistas no local contestam essa narrativa, sugerindo que a escalada foi, na verdade, desencadeada por uma quebra nos acordos informais de “proteção”. Fontes alegam que os mineiros frequentemente pagam a policiais locais entre 50 e 100 meticais para ter acesso, e a violência eclodiu quando uma unidade diferente, desconhecendo esses acordos de pagamento em troca de privilégios, tentou limpar o local à força.

Além do custo humano imediato, a violência destaca um ambiente estrutural de “alto risco” para a indústria mineira no norte de Moçambique. Disputas sobre concessões de terras e a falta de mecanismos transparentes de reassentamento ou mediação criaram um padrão recorrente de conflito entre o Estado e as comunidades locais.

Para investidores e parceiros internacionais, o incidente de Mogovolas serve como um forte lembrete de que, sem reformas regulatórias robustas e um compromisso com os Princípios Orientadores das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos, a riqueza mineral do país pode continuar sendo uma fonte de instabilidade em vez de crescimento econômico.

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