O sector privado moçambicano está a encorajar as empresas locais a prepararem-se rapidamente para grandes oportunidades de contrato após a Decisão Final de Investimento (FID) para o projecto flutuante de gás natural liquefeito (GNL) Coral Norte.
A Confederação das Associações Económicas (CTA), que representa o sector privado, divulgou um comunicado onde sublinha a importância do projecto, apelidando o investimento de “um sinal de confiança dos investidores internacionais e uma esperança renovada para os moçambicanos”.
O projeto Coral Norte, avaliado em 7,2 mil milhões de dólares, é uma réplica da plataforma operacional Coral Sul. Estará localizado na Área 4 da Bacia do Rovuma, na costa de Cabo Delgado, e deverá duplicar a produção de gás natural de Moçambique para sete milhões de toneladas por ano (mtpa) a partir de 2028.
Oportunidades de Conteúdo Local
Os parceiros do projecto — incluindo a Eni, a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), a CNPC, a Kogas e a XRG — reservaram contratos substanciais para empresas nacionais.
O Presidente Daniel Chapo instou as empresas locais a aproveitarem esta “oportunidade única”, afirmando que 800 milhões de dólares em contratos estão reservados para empresas nacionais nos primeiros seis anos, um valor que poderá chegar a 3 mil milhões de dólares ao longo de toda a vida útil de 30 anos do projeto.
A CTA sublinhou que o projecto irá melhorar directamente as condições de vida de aproximadamente 100.000 pessoas em Cabo Delgado, através da revitalização económica e da criação de emprego.
“Este é o momento certo para o setor privado moçambicano se preparar e capacitar, tornando-se competitivo e integrado nas cadeias de abastecimento globais”, lê-se no comunicado da CTA.
Importância Energética Global
O investimento acontece numa altura em que Moçambique avança para a recuperação económica. O projecto consolidará a posição do país como um grande produtor de gás natural e um actor importante no atendimento da procura global de GNL, duplicando o seu contributo para a segurança energética internacional. O Diretor Executivo da Eni, Claudio Descalzi, confirmou que a produção está prevista arrancar dentro de três anos, o que fará de Moçambique o terceiro maior produtor de GNL de África.
O Coral Norte junta-se a outros dois grandes projectos de GNL planeados para a Bacia do Rovuma: um liderado pela TotalEnergies (13 mtpa), que está a trabalhar para retomar as operações após uma suspensão por questões de segurança, e outro pela ExxonMobil (18 mtpa), que aguarda uma FID.






















