A Usina Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB), uma gigante da energia no centro de Moçambique, está embarcando em uma busca ambiciosa por “parceiros estratégicos” para impulsionar seu futuro. A iniciativa, detalhada no relatório anual de 2024 da HCB, publicado recentemente, sinaliza uma mudança ousada em direção à diversificação e expansão, com forte foco em energia solar e uma nova e significativa usina no norte.
A HCB, uma sociedade anônima de capital fechado de propriedade majoritária do Estado moçambicano, juntamente com uma participação da REN portuguesa e de cidadãos, empresas e instituições moçambicanas, está abrindo suas portas ao investimento externo. “Serão lançados concursos públicos para identificar parceiros estratégicos para o codesenvolvimento da usina fotovoltaica de 400 MW e da Usina Norte de Cahora Bassa”, afirma o relatório, destacando o compromisso da empresa com a diversificação de negócios.
A barragem de Cahora Bassa, um legado colossal da era colonial portuguesa na província de Tete, é a quarta maior albufeira de África. Desde o início das suas operações comerciais em 1977, cresceu de 960 MW iniciais para impressionantes 2.075 MW de capacidade instalada, consolidando a sua posição como uma das maiores produtoras de eletricidade da África Austral, abastecendo de forma fiável não só Moçambique, mas também os seus vizinhos.
A saúde financeira da HCB é robusta, com a empresa a reportar um lucro recorde de 14,1 mil milhões de meticais (€ 195,7 milhões) no ano fiscal de 2024, um aumento de quase 8,5% em relação a 2023. Este desempenho excepcional é atribuído à combinação da produção total de 15.753,52 Gigawatts-hora (GWh) do ano passado e a um ajustamento estratégico nas tarifas de venda de energia para o exterior.
Tomás Matola, presidente do conselho da HCB, articulou o desafio energético urgente que Moçambique enfrenta: satisfazer a crescente procura interna alimentada pelo crescimento económico e pela industrialização do país, a par das crescentes necessidades regionais. Matola destacou o “défice energético da África Austral, agravado pela África do Sul”, uma situação que vê não como um obstáculo, mas como “uma oportunidade para Cabora Bassa crescer e expandir-se”.
Curiosamente, Matola revelou que Cabora Bassa ainda possui um potencial inexplorado desde o seu projeto original, uma capacidade “deixada para trás pelos portugueses”. Esse poder latente agora está pronto para ser liberado por meio de projetos de expansão estratégica.
Um desses projetos fundamentais é o Central Norte, atualmente em fase de estudos de viabilidade. Matola expressou otimismo de que o Conselho de Ministros dará sinal verde ao projeto ainda este ano, com a construção potencialmente começando dentro de dois anos e se estendendo até 2031 ou 2032. Para este empreendimento significativo, a HCB planeja “abrir capital apenas para o Central Norte, do ponto de vista do financiamento do projeto, em 40%”, mantendo a participação majoritária de 60% e financiando-o por meio de uma combinação de recursos próprios e dívida.
Complementarmente, a usina fotovoltaica está pronta para inaugurar uma nova era de energia limpa para a HCB. Este projeto, atualmente em fase de “pré-estudo”, visa gerar inicialmente 400 megawatts de energia solar, com planos futuros para maior expansão da capacidade e abertura a operadores privados. A HCB prevê deter uma participação estratégica entre 5% e 10% neste empreendimento.
À medida que a HCB embarca nessa jornada transformadora, a busca por parceiros estratégicos será fundamental para liberar todo o potencial desses projetos “estruturais”, solidificando o papel de Cahora Bassa como um pilar da segurança energética da África Austral nas próximas décadas.





















