A África do Sul possui a riqueza mineral e a expertise técnica necessárias para competir nos mais altos níveis da mineração global. Andrew van Zyl, Diretor-Geral da SRK Consulting (África do Sul), argumenta que transformar essa vantagem em investimentos e crescimento econômico sustentado exigirá uma liderança decisiva e avanços no enfrentamento de desafios estruturais persistentes.

Ao comentar a edição de 2026 do Joburg Indaba, Van Zyl afirmou que o evento demonstrou a capacidade do setor de encarar realidades difíceis e, ao mesmo tempo, identificar soluções práticas, com a qualidade da liderança surgindo como um fator de confiança. “O Joburg Indaba nunca teve como objetivo apresentar uma visão idealizada da mineração sul-africana, mas sim criar um espaço onde os desafios e as oportunidades do setor pudessem ser discutidos de forma honesta e construtiva. Este ano, ficou evidente a competência das lideranças atuais e futuras do setor para responder a esses desafios”, disse Van Zyl.

As discussões ocorreram em um cenário de incerteza geopolítica, intensificação da competição por minerais estratégicos e interrupções nas rotas de suprimento. Restrições internas que incluem a confiabilidade do fornecimento de energia elétrica, a logística, a segurança e a prestação de serviços municipais continuam a influenciar os custos operacionais e as decisões de investimento. Van Zyl afirmou que os participantes reconheceram essas pressões sem perder de vista as oportunidades disponíveis para o setor. Ele acrescentou: “Ninguém evitou abordar a infinidade de desafios enfrentados pelo país e pelo setor. Isso foi uma prova da qualidade da liderança na mineração e da atitude positiva que caracteriza a nossa cultura local”.

A inclusão de Natascha Viljoen no Joburg Indaba SA Mining Hall of Fame (Galeria da Fama da Mineração da África do Sul) evidenciou a profundidade da experiência sul-africana no setor de mineração. Viljoen, a primeira mulher a ocupar o cargo de presidente e diretora executiva da Newmont a maior produtora de ouro do mundo, desenvolveu sua trajetória profissional no setor de mineração da África do Sul. Van Zyl afirmou que a experiência e as capacidades técnicas da indústria oferecem uma base sólida para um maior crescimento, tanto internamente quanto no cenário internacional. “Mantemos uma base de nível mundial para o desenvolvimento mineral e, muitas vezes, subestimamos o potencial do país para transformar aspectos da nossa economia e da nossa sociedade que precisam de melhorias”, observou Van Zyl.

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A expansão internacional das empresas de mineração sul-africanas reforça esse potencial. Van Zyl apontou para aquisições e investimentos no exterior como evidência de que as empresas locais possuem a experiência, a capacidade financeira e a liderança necessárias para competir em diferentes jurisdições. A concretização desse potencial exigirá melhorias que vão além das unidades de mineração individuais. As operações de mineração dependem de municípios funcionais, infraestrutura confiável e serviços públicos eficazes, o que vincula o desempenho do setor, diretamente, a uma governança mais ampla e a reformas econômicas.

Com a aproximação das eleições municipais, Van Zyl destacou os benefícios econômicos que uma maior capacidade de gestão municipal poderia proporcionar às comunidades mineradoras e à economia como um todo. Ele também apontou para os avanços obtidos por meio da *Operation Vulindlela* — especialmente nos setores de energia elétrica, logística e processos ambientais —, bem como para a interação construtiva entre o governo e o setor industrial. O enfrentamento da criminalidade e da corrupção poderia gerar benefícios igualmente amplos, ao fortalecer a confiança dos investidores e ampliar as oportunidades econômicas. Ele afirmou: “As reflexões apresentadas por palestrantes, tanto de dentro quanto de fora do setor de mineração, evidenciaram o valor que pode ser gerado por meio do aprimoramento de nossos municípios”.

Para Van Zyl, a colaboração continua sendo fundamental para transformar o potencial mineral em ganhos concretos. Uma coordenação mais eficaz entre governo, indústria e comunidades poderia ajudar a superar entraves estruturais, ao mesmo tempo em que melhora as condições para o investimento e o desenvolvimento sustentável. Ele concluiu: “Temos as pessoas e os recursos, tanto nesta geração quanto na próxima. Não há motivo para não alcançarmos as melhorias almejadas para o setor de mineração e para a sociedade em geral”.

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