As ambições de industrialização de Moçambique costumam ser debatidas em salas de conferências e fóruns de investimento muita retórica que nem sempre se traduz em produção efetiva. A ETG Steel Solutions e sua divisão de varejo, a Falcon Steel, constituem uma rara exceção: uma empresa que realmente fabrica e comercializa aço na região, em vez de apenas discutir o potencial para fazê-lo.
Sediada na Zona de Livre Comércio de Beluluane, perto de Maputo, a ETG Steel Solutions produz tubos, perfis, coberturas metálicas e outros produtos voltados para a construção civil, os quais a Falcon Steel comercializa em Moçambique e na África do Sul. A lógica comercial fica evidente nos materiais da própria empresa, que destacam a proximidade de Beluluane em relação ao polo industrial sul-africano situada a menos de 550 km de Joanesburgo como o principal atrativo da zona. A produção abastece diretamente as cadeias de suprimentos dos setores de construção, mineração, saneamento (água e esgoto), agricultura e manufatura em ambos os lados da fronteira.
Esse é precisamente o tipo de resultado que uma zona de livre comércio industrial deveria gerar. Isso também reflete uma oportunidade já visível ao longo do corredor N4: Moçambique detém uma vantagem estrutural como rota de trânsito para o comércio sul-africano via porto de Maputo, mas ainda tem pela frente a tarefa mais árdua e valiosa utilizar seus portos, infraestrutura energética e parques industriais para capturar uma parcela maior desse valor em sua própria economia, em vez de apenas facilitar a passagem das mercadorias. A operação da ETG em Beluluane é um exemplo concreto dessa mudança já em curso. A questão, tanto para formuladores de políticas quanto para investidores, é se esse modelo se tornará a regra ou permanecerá uma exceção.





















