A escassez de combustível continua a afetar várias províncias moçambicanas, com Nampula, a região mais populosa, entre as mais afetadas. A crise se agravou nas últimas semanas, resultando em longas filas nos postos de combustível, preços inflacionados nos mercados informais e crescente frustração da população.
Moradores relatam que a maioria dos postos está seca, obrigando as pessoas a formar filas desde cedo. “Estou aqui desde as 4h e ainda não comprei combustível. A maioria de nós chegou por volta das 3h e ninguém conseguiu abastecer”, disse Gildo Alberto, taxista.
O mototaxista Mário Inácio acrescentou que a falta de combustível também reduziu a demanda por transporte. “Estamos ganhando apenas 100 meticais por dia. Não há clientes”, disse Inácio.
Com a diminuição do abastecimento formal, o mercado negro floresceu. A gasolina, que deveria custar 85,82 meticais por litro, está sendo vendida por até 300 meticais. O profissional de saúde Amade Bernardo admitiu revender gasolina para aumentar sua renda. “Compramos na bomba por 90 meticais e vendemos por 110 a 120”, disse Bernardo.
Alguns cidadãos alegam que os postos priorizam veículos do governo ou aqueles ligados a empresas estatais. No entanto, o gerente do posto Eco, Miguel Amorim, refutou as alegações, afirmando que os contratos institucionais são honrados sem favoritismo.
Em 29 de Abril, o governador de Nampula, Eduardo Mariano Abdula, prometeu que a crise se acalmaria em uma semana, alegando que os suprimentos haviam chegado e apenas aguardavam a distribuição. Mas, semanas depois, pouco mudou.
A frustração pública desencadeou manifestações pacíficas.
Em 10 de Maio, a organização Koshukuro marchou em Nampula para exigir respostas. Seu Diretor Executivo, Gamito dos Santos, criticou o silêncio das autoridades, afirmando: “O governo acha que só temos deveres, nunca direitos. Ficamos no escuro em todas as crises.”






















