MAPUTO — A Kenmare Resources Plc assinou um acordo de US$ 500 mil com uma organização não governamental moçambicana para amenizar tensões comunitárias no norte da província de Nampula, uma região estratégica para o fornecimento de matérias-primas de titânio da empresa aos mercados globais.

A iniciativa de três anos, cofinanciada com o Mecanismo de Apoio à Sociedade Civil (Fundação MASC), será realizada entre 2026 e 2028. O programa visa reduzir conflitos e fortalecer as relações com a comunidade nos distritos de Larde e Moma, onde está localizada a principal operação de areias minerais pesadas da Kenmare.

A medida ocorre em um momento delicado para a mineradora, listada nas bolsas de Dublin e Londres. Recentemente, a Kenmare enfrentou desafios em Moçambique, incluindo atritos com a autoridade tributária nacional sobre os termos de royalties e uma pressão crescente do governo para renegociar contratos de mineração antigos. Garantir a estabilidade local é visto cada vez mais pelos executivos como um pré-requisito para proteger investimentos de capital vultosos e de longo prazo.

Fóruns de Diálogo

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O aporte de recursos viabilizará a criação de fóruns integrados que reunirão executivos de empresas, líderes da sociedade civil local e autoridades governamentais. O objetivo principal é estabelecer sistemas de alerta precoce para demandas e insatisfações locais, bem como envolver as comunidades anfitriãs no planejamento do desenvolvimento regional.

“Trata-se de um programa de três anos, a ser implementado nas regiões de Larde e Moma, com foco na promoção da coesão social nessas comunidades”, afirmou Maura Martins, diretora executiva da Fundação MASC, durante a cerimônia de assinatura em Maputo. “Atualmente, contamos com um investimento de US$ 500.000 para o programa”, acrescentou ela, observando que o financiamento poderá aumentar à medida que as operações locais se expandirem.

A iniciativa basear-se-á em uma estrutura de atuação na base, utilizando mobilizadores comunitários para atenuar focos de tensão antes que estes cheguem a interromper as operações de mineração.

Para a Kenmare, que opera a enorme mina a céu aberto de Moma há quase duas décadas, o investimento trata menos de filantropia e mais de mitigação de riscos.

“Comunidades fortes são essenciais para a sustentabilidade dos investimentos e para a estabilidade social nas áreas onde a mineradora atua”, disse Gareth Clifton, gerente nacional da Kenmare em Moçambique. A empresa visa fortalecer as instituições públicas locais para garantir uma participação comunitária mais previsível, acrescentou ele.

Presença Global no Abastecimento

As operações da Kenmare são altamente estratégicas para a cadeia de suprimentos industrial global. A mina de Moma explora uma das maiores jazidas de titânio e zircônio do planeta, respondendo por cerca de 7% da oferta global de matérias-primas de titânio. Sua produção é exportada para compradores em mais de 15 países, destinando-se à fabricação de produtos de consumo e industriais, incluindo tintas, plásticos e cerâmicas de alta qualidade.

A empresa mantém presença nesse país do sudeste da África há mais de 30 anos, apoiando-se fortemente na longevidade de seu ativo em Moma, cuja vida útil estimada da mina ultrapassa largamente meio século.

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