O presidente Daniel Chapo sinalizou uma mudança significativa na abordagem de Moçambique ao investimento estrangeiro, afirmando que a nação não está mais vinculada a acordos firmados há duas décadas. Ele pediu a renegociação de contratos para grandes projetos de extração de recursos, argumentando que as necessidades e aspirações em evolução do país exigem uma nova visão dos acordos existentes.
Falando após uma visita provincial, Chapo enfatizou que “Moçambique não é mais o mesmo de 20 anos atrás. Não somos as mesmas pessoas, não pensamos da mesma forma, não temos os mesmos objetivos.” Esta declaração chega em um momento crucial, já que a concessão para a mina de titânio e zircão de Moma, operada pela empresa australiana Kenmare Resources, expirou em dezembro.
Enquanto a Kenmare continua as operações, as negociações para uma renovação de contrato estagnaram, levando Chapo a esclarecer que isso não é um atraso, mas um processo deliberado. “Há contratos em Moçambique que foram assinados há 20 anos. Vou dar apenas três exemplos. Poderia dar vários. Vou dar o exemplo da Mosal [aço], e vou dar o exemplo da Sazol [hidrocarbonetos]. Em Inhambane, vou dar o exemplo da Kenmare, aqui na província de Nampula. E esses contratos, depois de 20 anos, precisamos agora renovar”, afirmou.
O Presidente reconheceu o delicado ato de equilíbrio envolvido nessas negociações. “A Kenmare está tentando defender seus interesses e nós, como governo de Moçambique, estamos tentando defender os interesses do povo moçambicano.” Ele destacou as preocupações públicas em relação à responsabilidade social corporativa e à inclusão de conteúdo local como fatores-chave que impulsionam a renegociação.
Chapo enfatizou que a busca do governo pelo “interesse nacional” é sinônimo do “interesse do povo”. Ele garantiu que as negociações com a Kenmare estão ocorrendo pacificamente, sem interrupção das operações. “Eles não param de operar porque achamos que é uma negociação completamente pacífica”, explicou.
A renegociação ocorre em um momento em que os lucros da Kenmare tiveram um declínio significativo. Os relatórios indicam uma queda de 50% nos lucros para 2024, para US$ 64,9 milhões. Este cenário financeiro adiciona outra camada de complexidade às discussões em andamento.
A postura assertiva do Presidente Chapo sinaliza uma nova era na gestão de recursos de Moçambique, onde o governo busca garantir que a riqueza da nação beneficie seus cidadãos de forma mais equitativa. Os resultados dessas negociações provavelmente estabelecerão um precedente para futuros investimentos estrangeiros no país.






















