O encerramento da segunda maior fundição de alumínio da África já está causando prejuízos além de suas instalações, com pelo menos cinco empresas no Parque Industrial de Beluluane, em Moçambique, tendo paralisado suas operações antes da entrada da Mozal em regime de manutenção e conservação em 15 de março de 2025, e espera-se que outras sigam o mesmo caminho.
“Neste momento, já contabilizamos uma média de cinco empresas que paralisaram suas operações, aquelas mais diretamente ligadas à produção, pois também há empresas que realizam manutenção elétrica, manutenção industrial e assim por diante. Atualmente, cerca de cinco empresas interromperam completamente suas atividades, sem perspectiva de retomada”, afirmou Onório Manuel, Diretor-Geral da MozParks, entidade que administra o parque.
Das aproximadamente 25 empresas fornecedoras de bens e serviços para a Mozal, a maioria indicou que está considerando medidas semelhantes em resposta à suspensão das atividades da fundição, disse Manuel à Lusa. Algumas permaneceram operacionais até agora justamente por estarem diretamente envolvidas no processo de desligamento seguro.
O custo humano é considerável. A própria Mozal emprega mais de 1.000 trabalhadores diretamente e outros 4.000 indiretamente. O impacto em todo o parque coloca em risco aproximadamente 4.000 empregos adicionais em toda a cadeia de suprimentos da fundição. “Estamos falando de inúmeras posições em empresas ligadas à cadeia de valor da Mozal, não necessariamente dentro da própria Mozal”, disse Manuel.
As consequências econômicas vão muito além dos limites do parque. A Mozal contribuiu com uma média de 49% da produção do setor manufatureiro de Moçambique, equivalente a cerca de US$ 1,6 bilhão, ou aproximadamente 10% de um PIB nacional de US$ 16 bilhões. A matemática é alarmante, já que o fechamento de uma única unidade pode reduzir consideravelmente o PIB do país, com efeitos em cascata nos gastos públicos e nos serviços sociais.
Manuel alertou que o dano à reputação agrava o impacto econômico direto. “A notícia do fechamento da Mozal chega aos mercados internacionais com interesse em Moçambique, trazendo uma série de riscos que desestimulam o investimento, principalmente em projetos de grande escala”, observou Manuel.
A causa principal do fechamento é uma disputa sobre os custos de eletricidade. A operadora australiana South32 descreveu a tarifa de energia proposta como “totalmente insustentável”, visto que a Eskom, da África do Sul, ofereceu fornecimento a quase US$ 100 por megawatt-hora, quase o dobro do limite acima do qual menos de 1% das fundições fora da China operam, segundo Graham Kerr, CEO da South32. A empresa não descartou a possibilidade de reativar a usina caso as condições mudem.






















